Texto: Viciados em F7? - Carla Viana Coscarelli e Else Martins dos Santos
(Adaptado por Élida Almeida, Gilcleá Carla, Luciane Almeida e Marise Marinho).
* A versão completa deste texto está disponível no Grupo Docência no Ensino Superior UNI-BH (Yahoo Grupos), em “Arquivos”.
A informática entrou em nossa vida - isso não tem retorno - e sua influência na escrita é inevitável. De pouco adianta torcer o nariz ou fechar os olhos para as conseqüências que o uso do teclado e dos programas de texto provocam na escrita das pessoas. Necessário se faz estudar essas modificações e, sem pré-conceitos, analisar até onde isso é bom ou não. Por mais que usemos um chat, isso não significa que vamos escrever como prescreve esse gênero, em qualquer situação. Todo mundo conversa ao telefone, mas nem por isso começamos nossas conversas com Alô!
A crítica que mais se faz ao uso dos corretores de texto e das comunicações sincrônicas (chats) e assíncronas (e-mail) é o fato de que eles levam o indivíduo a escrever errado. No primeiro caso, inclusive, dizem até que “vicia”! É preciso entender que alguns aspectos da escrita merecem mais atenção do que a ortografia e a separação de sílabas. Mas então, disparariam irritados aqueles para quem saber Português é ter um bom domínio da ortografia e da sintaxe, devemos deixar pra lá erros ortográficos? Língua não se resume a ortografia. Há muito além disso: a sintaxe, a semântica, a textualidade, os fatores pragmáticos, a discursividade, e ninguém discute isso. A ortografia é sempre a grande vedete.
Sabemos que o computador estabelece novas exigências e facilidades e não há por que negá-las ou recusá-las. É preciso entendê-las, estudá-las e aperfeiçoá-las!
Texto: Chat – gênero textual emergente - Else Martins dos Santos
*(Adaptado por Élida Almeida, Gilcleá Carla, Luciane Almeida e Marise Marinho).
* A versão completa deste texto está disponível no Grupo Docência no Ensino Superior UNI-BH (Yahoo Grupos), em “Arquivos”.
Iniciamos esta exposição tecendo uma breve discussão sobre gêneros textuais, a fim de introduzir os chats como um gênero emergente da tecnologia digital. A seguir descrevemos alguns recursos oferecidos pelos programas de bate-papo e buscamos situar o chat entre a fala e a escrita. Apresentamos também alguns recursos bastante comuns nos chats entre adolescentes e finalizamos defendendo o uso desse novo gênero nas salas de aula.
O contexto da produção supõe:
• representações sobre o local da produção;
• representações sobre o momento da produção;
• emissor e receptor – fisicamente constituídos e com um dado papel social;
• o lugar social onde se dá a interação;
• objetivos ou efeitos que se quer produzir no destinatário.
O conteúdo temático supõe:
• referente;
• conjunto de informações apresentadas explicitamente;
• trânsito entre o mundo físico, o mundo social e o mundo subjetivo;
• representações construídas pelo agente/produtor.
As interações on-line:
A Internet está superpovoada de programas de chats ou, aportuguesando, bate-papos. Trata-se de um recurso de interação na internet enormemente utilizado, sendo uma forma de comunicação em tempo real, ou seja, o que se escreve pode ser imediatamente lido em um outro computador, devidamente interligado, em qualquer canto do mundo, quase na mesma hora em que se escreve, com diferença, talvez, de segundos, dependendo da qualidade da conexão.
Esse tipo de comunicação é chamada de “comunicação sincrônica”, e simula uma comunicação face-a-face, ou seja, o tempo de produção é o mesmo da leitura. As mensagens são trocadas de forma simultânea, entre dois ou mais usuários em uma mesma sessão.
A seguir alguns recursos básicos disponíveis na maioria dos programas de chats oferecidos pelos portais:
• Existência de salas divididas por faixa etária, regiões ou temas de interesse comum.
• Identificação dos usuários por pseudônimos.
• Possibilidade de verificar o que está acontecendo na sala, a fim de decidir em qual delas entrar.
• Utilização de emoticons.
• Linguagem solta, livre, coloquial, cheia de abreviaturas e cortes.
• As mensagens enviadas podem ser lidas por todos os participantes da sala, exceto se optar por entrar no modo privativo, como explicamos no próximo item.
• As mensagens podem também ser enviadas para apenas uma determinada pessoa, o que se chama de privativo, e o usuário ainda tem acesso ao conteúdo da conversa do grupo.
Entre a fala e a escrita
O processo de produção e o modo de processamento do texto trazem características tanto da conversação face a face quanto da escrita.
Veja, a seguir, algumas dessas características :
• conversa em tempo real;
• interlocutores espacialmente distantes;
• ausência de recursos prosódicos,
• marcação por escrito de recursos paralingüísticos (risos, Zzzzz )
• a execução do que se vai escrever dá-se junto com o planejamento sendo possível, em alguns programas, acompanhar-se o processo de produção;
• repetição;
• uso de marcadores conversacionais;
• o interlocutor é co-produtor do texto;
• tempo de produção da escrita mais lento que o da produção oral;
• passagem e tomada de turnos.
Embora não seja possível fazer uma distinção dicotômica, sabemos que falar é diferente de escrever. Não se escreve como se fala de forma alguma.
Diferentemente da fala, em que pensamos e organizamos o pensamento em função da exposição oral, na IOL (Interação On-line) pensamos e organizamos o pensamento em função da escrita, devendo o chater ter um domínio do funcionamento da escrita, a fim de ter sucesso em sua interação.
Considerações finais
Em resumo, o que aqui quisemos foi apenas descrever, dentre os muitos gêneros textuais da cultura eletrônica, o chat – gênero emergente que se bem usado em sala de aula pode ser precioso auxiliar no estudo da língua.
Uma forma de enfrentar essa questão seria uma abordagem mais crítica quanto ao estudo dos gêneros textuais e quanto ao aspecto da variação lingüística, procurando, como afirma Travaglia,(2001-p.41) desenvolver a competência comunicativa dos usuários da língua, abrindo a escola à pluralidade dos discursos.
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